Viver Cristo para expressar Deus
Leitura
das Sagradas Escrituras: Êxodo 20:1-17; 25:16; Cl 1:15; Rm. 8:4; Fil. 1:19-21a
Nesta
mensagem veremos que a lei, além de ser o testemunho de Deus e um tipo de
Cristo, tem a ver com a economia neotestamentária de Deus.
Explicando
o título, vejamos que o Plano Eterno de Deus tem muito a ver com o pecado e o
corruptor Satanás; Ou melhor, o pecado e Satanás têm tudo a ver com o Plano
Eterno que havia sido elaborado antes que o anjo pecasse e trinta por cento dos
anjos o acompanhassem, e o humano também, e antes que existisse o tempo e o
mesmo humano que ainda não havia sido criado.
Sendo
assim, a Lei de Deus é o oposto da religião [religare] de Caim e dos muitos
caminhos dos humanos pecadores [Isaías 53.6]. A Lei revelava o pecado e a
absoluta incapacidade humana para cumpri-la, e a inutilidade das
"religiões" dos homens ao longo dos tempos. Consequentemente, a Lei
de Deus aponta que o retrato de Deus é o próprio caminho da Vida e não uma
religião comportamental como as tantas do mundo pagão. O povo para o que Deus
deu a lei deveria colocar o homem do lado oposto das religiões, mas
infelizmente se tornou “outra religião”, rejeita o Messias e não expressa Deus.
A LEI DE DEUS
Ao
estudar a história dos reis de Judá vemos que Deus procurava um povo na terra
para poder encarnar e entrar na humanidade. Além disso, Ele precisava de uma
terra para formá-Lo como nação e estabelecer Seu testemunho de acordo com Sua
lei.
Todos
nós precisamos entender o que é a lei de Deus. Alguns cristãos afirmam que a
lei de Deus consiste principalmente nos dez mandamentos (Ex. 20:1-17), ou seja,
na lei moral. No entanto, os dez mandamentos com seus estatutos e ordenanças
abrangem apenas alguns capítulos de Êxodo, a saber, 20 a 24. Mas a lei completa
abrange não apenas esses capítulos, mas todos os capítulos de Êxodo 20 até o
final de Levítico. Então, em que consiste o restante da lei de Deus? Consiste
na lei cerimonial. Em resumo, a lei de Deus compreende a lei moral (Ex. 20-24)
e a lei cerimonial (Ex. 25-Lev. 27).
A LEI MORAL
A
lei moral inclui os Dez Mandamentos com seus estatutos e ordenanças. Os
primeiros cinco mandamentos referem-se ao relacionamento que temos com Deus e
com nossos pais. Por que os pais humanos aparecem no final da primeira taboa?
Porque não se pode amar a Deus sem amar aos pais. A Vida longa e saudável está
intimamente ligada não somente a Deus, como também a nossos pais biológicos ou
do coração [Ef. 6.1-2]. Os três primeiros estão diretamente relacionados a
Deus; a quarta, com o dia de descanso; e a quinta, com nossos pais. E por que o
descanso no meio? Porque ainda quando Deus se cansa, quis ensinar em si mesmo
que cumprir a Lei cansa, e se necessita descanso para enfrenta-la; logo no
livro de Hebreus o Descanso é Jesus, e em Romanos 14 o dia não mais importa. Os
últimos cinco mandamentos giram em torno de nosso relacionamento com os outros
e são: não mate, não cometa adultério, não roube, não dê falso testemunho
contra os outros e não cobice. Esses mandamentos ou leis são breves, mas
abrangem a maneira como nos relacionamos com nossos semelhantes.
Com
o tempo, a lei moral, os Dez Mandamentos, tornou-se a base da lei civil de
muitas nações. Por exemplo, a lei romana, que foi imitada em todo o mundo,
baseava-se nos últimos cinco mandamentos.
O MANDAMENTO A NÃO COBIÇAR ENFRENTA NOSSA CONDIÇÃO INTERNA
Vamos
falar sobre o mandamento de não cobiçar. Em Filipenses 3:6, Paulo declara que
quanto à justiça que vem da lei, ele era irrepreensível. Mas em Romanos 7, ele
reconheceu que não poderia guardar o mandamento de não cobiçar. “Porque eu
também não conheceria a cobiça, se a lei não dissesse: 'Não cobiçarás'. Mas o
pecado, prevalecendo-se do mandamento, produziu em mim toda avareza; porque sem
a lei o pecado está morto” (vs 7b-8a). Paulo, como bom judeu, foi capaz de
guardar os mandamentos de não matar, não cometer adultério, não roubar e não
dar falso testemunho, porque eles se relacionam com a conduta [nivel religião].
No entanto, ele não pôde cumprir o mandamento de não cobiçar, pois tem a ver
com a nossa condição interior. Paulo não podia evitar a cobiça.
Você
poderia dizer que nunca cobiçou? Talvez quando você estava na escola tenha
visto um colega trazer uma caneta muito bonita e imediatamente a cobiçou,
desejou que fosse sua. Mesmo em nossa vida familiar, cobiçamos certas coisas.
Suponha que uma grande família coma uma sobremesa depois do jantar e cada uma
das crianças receba um pedaço de cheesecake. Uma criança, olhando para a fatia
das outras, pode reclamar que sua fatia é menor, e pode perguntar por que não
pegou uma fatia maior. Isso se chama cobiça. Ninguém pode alegar não ter
cobiçado alguma coisa.
A LEI É UM RETRATO DE DEUS
Os
dez mandamentos foram chamados de testemunho de Deus (Ex. 25:16). Como tal,
eles são uma imagem descritiva ou retrato de Deus. Poderíamos até dizer que a
lei é a fotografia de Deus.
As
leis geralmente refletem as pessoas que as fazem. Por exemplo, se ladrões
pudessem fazer leis, certamente fariam alguma lei legalizando o roubo. Da mesma
forma, se pessoas más fossem eleitas para o Senado de uma nação democrática,
certamente promulgariam leis injustas e pecaminosas. Tais leis seriam um
reflexo das pessoas más que as fizeram. Por outro lado, pessoas boas sempre
fazem boas leis.
A
lei de Deus é o reflexo de Deus. Depois de estudar cuidadosamente os últimos
cinco mandamentos, vimos que eles se baseiam em quatro dos atributos
divinos: amor, luz, santidade e justiça. Esses atributos são a base sobre a
qual a lei de Deus foi estabelecida. Quanto mais examinamos a lei de Deus, mais
percebemos que seu legislador deve ser uma pessoa cheia de amor e luz, e que
ele deve ser santo e justo.
Porque
a lei é a imagem de Deus, Sua própria imagem, ela é chamada de testemunho de
Deus; e a arca na qual a lei foi colocada foi chamada de arca do testemunho
(Ex. 25:22).
A LEI TIPIFICA A CRISTO
Com
base no fato de que a lei é o testemunho de Deus, Sua própria imagem, podemos
afirmar que a lei tipifica Cristo. Mas como você o define? Isso O tipifica no
sentido de que Cristo é o próprio retrato de Deus, a figura ou imagem do
próprio Deus (Colossenses 1:15).
A LEI ESTÁ RELACIONADA COM O PLANO ETERNO DE DEUS
Agora
vamos ver como a lei se relaciona com a economia de Deus. Ao estudar os livros
históricos do Antigo Testamento, devemos relacioná-los com a economia de Deus, o
PED, -Plano Eterno de Deus-. Em Sua economia, Deus escolheu Israel,
estabeleceu-o como povo, formou-o como nação e deu-lhe a lei. Como podemos
relacionar isso com a economia de Deus? A economia de Deus consiste em Deus
tornar-se homem para que o homem se torne Deus, em vida e natureza mas não como
objeto de adoração, isto para produzir o Corpo orgânico de Cristo, que terá sua
consumação na Nova Jerusalém. Cristo é o centro, a realidade e a meta da economia
divina. Aparentemente, a lei não tem nada a ver com essa economia. Então, por
que dizemos que está ligadoa a ele? Dizemos isso porque a lei foi dada como uma
figura, uma imagem de Deus; como Seu testemunho. Como testemunho de Deus, a lei
tipifica Cristo, que, por ser a imagem de Deus, é o retrato de Deus, Seu
testemunho.
OBSERVAR A LEI É EQUIVALENTE A EXPRESSAR DEUS
Deus
ordenou a Israel que guardasse a lei. Em tipologia, guardar a lei equivale a
expressar Deus. Não mate, não cometa adultério, não roube, não minta e não
cobice, descreve a vida de um homem-Deus. Aqueles que vivem
como homens-Deus, eles expressam a imagem de Deus; eles
são uma imagem de Deus, Sua réplica.
Atualmente,
a condição do mundo é o oposto disso. Em vez de ver a vida de um homem-Deus,
vemos a imagem de Satanás nos assassinatos, adultério, fornicação, roubo,
mentira e cobiça. Quem fala a verdade hoje? Muitas vezes vemos pessoas mentirem
no tribunal para conseguir mais dinheiro e depois se vangloriarem de suas
mentiras. A maioria dos “cristãos” mentem sem temor algum, e mantêm meias
verdades inexcrupulosamente. Outros competem nos negócios ou nas escolas
motivados pela ganância. Todo mundo que compete é ganancioso. Alguns até matam
para conseguir o que desejam. Portanto, ao invés de estar cheia de homens-Deus,
a terra está cheia de "escorpiões". Não é pecado desejar triunfar na
vida, mas isto deve existir no contexto das inclinações, das inteligencias, das
visões e principalmente de uma missão divina e não por ganancias.
Jamais
poderemos usar os tipos, as profecias, os retratos, as imagens do Tanakh como
realidade. A realidade, de fato, é Jesus Cristo e seu Evangelho.
O
ser humano é a imagem de Deus antes de pecar; Uma vez que ele pecou, seus
filhos carregam a imagem e semelhança dele, um ser caído e pecador. Então,
Cristo é a imagem de Deus que reedita o homem sem pecado do princípio, e a
Igreja é a imagem de seu Cabeça, Cristo. A Lei é a imagem de Deus para o seu
Povo Israel, para que tenham um comportamento orientado externamente, protótipo
da Lei interna nos crentes de Jesus Cristo, para que além da aparência,
comportamentos, tenhamos a mesma vida de Deus em nosso interior nos governando.
Não
vamos esquecer que a Lei Mosaica foi acrescentada [Gl. 3. 19; At. 7. 53; Rm. 5.
20-21]. No início do desenvolvimento do Plano Eterno de Deus, ela não existia.
Numa época em que os humanos se afastavam muito de Deus, mesmo os
"justos" como Abraão, Deus decidiu dar-lhes o seu retrato moral. Como
já foi dito, podemos controlar qualquer outro pecado, exceto a cobiça, e é por
isso que os humanos precisavam de uma Lei escrita. No entanto, o jovem rico que
presumiu ter cumprido a totalidade da Lei, ainda tinha um vazio interior sem
Deus. Você não acha glorioso que, em vez de ter uma Lei divina diante de nós em
duas tábuas, nós as tenhamos em nossos corações? Em outra mensagem explicarei a
importância e validade espiritual de cada um dos Dez Mandamentos, demonstrando
que os judeus precisavam apenas ter fé na promessa do Messias baseada nos quatro
primeiros mandamentos da primeira taboa e se separarem desses quatro pecados da
última parte dos Dez mandamentos, enquanto que aos cristãos novotestamentarios
nos basta a Fé, devido a que o Messias já veio e nós o recebemos [Jo.1. 11-13].
Tito Berry