Os “evangélicos” devem ser responsáveis, ou serão mais diabos que o Diabo

 

As igrejas denominacionais nunca se preocuparam em “instruir em justiça”. Esta frase que muito uso nas minha intervenções nas mídias com o Evangelho de Jesus, está em 2 Timóteo 3. 16-17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

O texto estabelece duas verdades basais: 1) Tudo foi inspirado; precisamos discernir o que o inspirador está dizendo, e não manipular os textos política ou religiosamente para o lado que queiramos. 2) Toda a Escritura é útil. Não diz que ela sozinha vai operar, senão que quando nós a vamos utilizar bem, ela vai ser útil.

Os tais, entreaspados no título, só vieram a usar textos fora de contextos, para os pretextos partidaristas, manipulados por uma política da Extrema Direita Internacional. O Juiz Alexandre de Moraes, douto como é, explica que essa corrente filosófica política percebeu o potencial das mídias, e que as usou muito bem. Certo. Eu assinei junto a vários alunos de uma faculdade de jornalismo em Buenos Aires, o primeiro “Diário Digital” da Argentina, e posso afirmar que, de fato a Internet nos seus começos era uma solução bomba. Passado o tempo, como tudo o humano, se corrompeu.

Será que tais igrejas e tais líderes, sabem o que é Justiça? Talvez seja sua ignorância a razão de sua ausência na educação de seus fiéis. Então, não deviam usar seus púlpitos para falar contra seus adversários, e nem muito menos como palanque político. Tampouco deviam ir ao Estado como deputados, senadores, vereadores, prefeitos, ministros. Por caso não instruíram a seu povo, porque especulavam ser os líderes os únicos “competentes” em eventuais oportunidades de ser parte dos que se repartem a pizza estatal?

O substantivo Diabo quer dizer adversário. Quando entre oponentes políticos se debatem, acostumam dizer que não são inimigos senão adversários. Olha! Se o seu inimigo não lhe oferece ataque, não lhe perturba, não lhe persegue, para que cutuca-lo? Assim, o que era adversário necessariamente vira inimigo. Quanto mais dizem “João Ladrão”, mais grande se faz o adversário, até virar inimigo, e de um inimigo só se pode esperar ataques, e também revanche.

Será que Jesus nunca ensinou a nós nos comportar de maneira que o mal diminua, e o bem prevaleça? Quando lhe acusaram de estar endemoniado, ele afirmou que se um reino se divide, e combate o mal em si mesmo, esse reino não dura; vai cair e desaparecer. Se os “irmãos” que se comprometeram politicamente no Estado, supunham reduzir o mal, ou influenciar para que o mal não se institucionalize, apenas assinaram sua entrada ao Estado, já caíram da Verdade e a Justiça, e se fizeram UM com o mal, se uniram a ele, e agora são parte da corrupção.

A única maneira de semear justiça é desde fora do lugar ou território injustiçado. Não podemos sequer opinar contra um governante, uma filosofia política, um político, desde o território da Direita ou da Esquerda. E desde a Bíblia não se opina nem se discute; somente se diz a verdade. Por exemplo: eu não posso largar lágrimas dizendo que oro pelos que estão presos injustamente pelo Xandão, pretendendo que Deus responda, porque isso é tomar partido, o que já é injusto, e ainda pior, é também eu me erigir juiz condenando outros juízes. Esse é um tipo de oração que Deus não atende [Tiago 5.16]; a oração injusta. Desde quando sofrem as injustiças, se quando a gente pede oração eles prometem orar mas não oram pela gente? Se os irmãos mais maduros –pela graça de Deus- observarmos nas orações dos pregadores parafusados em púlpitos, veremos que nem orar sabem, e que se a gente fosse Deus viria contra eles com um azorrague de cordéis, como João 2. 15 descreve, mas qualquer repreensão que pudessem receber, certamente postarão nas redes sociais rechaçando a disciplina. Assim querem mudar o mundo...

Tito Berry

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